quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão ou Apocalipse?

Eu estava morto, de fome, online, cinco arquivos de Word abertos, com o celular na minha frente e uma única conversa do MSN ligada; Três fichas de papel abertas. Só se ouvia os meus dedos digitarem, tudo mais estava em silêncio. Nas pausas, ouvia-se cliques do mouse e a voz de uma criança, uma menina e a minha própria, saindo de algum lugar desconhecido. Eu parecia atento às vozes, e anotava algumas coisas no papel, logo voltava a digitar. Parecia meio nervoso. Imaginei que, assim que acabasse meu trabalho, poderia finalmente ir jantar. Eram 10:10. Na janela, do MSN, lia-se as últimas palavras lidas da noite:

- Caio: Ei, Ugo, Tem uma última coisa importante que falta na sua parte
- Caio: Olha só:

Ouvi, no fundo da minha consciência, um barulho estranho. Atentei-me mais, e vi, com o canto do olho, as luzes da janela do outro prédio se apagarem. Comecei rapidamente a digitar:

- Ugo: Caio, vai cair a...

E tudo foi-se. E voltou. E foi. E voltou. E foi. Senti-me num parque de diversões, onde as luzes piscam rapidamente, tentando deixar as crianças mais hiperativas. "Fodeu", pensei. Logo mais, "Nem tanto, todo mundo se fodeu, o trabalho vai ser adiado". Peguei meu celular, liguei pro Caio. Não tocou, rede ocupada. Tentei novamente, e nada. Levantei, fui até a cozinha e senti-me num filme de terror. A luz do corredor piscava sem lógica e só tinha uma lâmpada acesa no meio da sala, onde todas as lâmpadas são ligadas em série. Da cozinha vinha uma luz, e lá encontrei minha empregada. Só que não era minha empregada.

Era minha empregada zumbi.
Ela me atacou, me mordeu no pescoço e arrancou um pedaço da minha pele com as mãos. Nessa hora, já não sentia mais dor, mas estava meio consciente. Chutei seu corpo de cima do meu, pulei em cima da bancada, peguei o pote de arroz, ainda morno, enfiei uma mão dentro e joguei pra cima. Nessa hora, a lâmpada não aguentou a falta de energia, em meia fase, eu suponho, e apagou. Tudo ficou breu. Não via mais onde minha ex-empregada estava. Desci da bancada rapidamente, peguei umas lingüiças, molhei no pote de feijão frio e corri de volta pro quarto do meu irmão, onde havia um taco de beisebol estrategicamente posicionado dentro do armário, para o caso de zumbis aparecerem.
Ouvi ao longe barulho de unha raspando no chão e logo mais em uma porta porta. Das duas uma: ou meu cachorro também tinha sido contaminado, ou ele é apenas carinhoso demais. Corri até a porta do corredor, com a boca cheia de comida, abri com toda minha força e dei uma tacada de beisebol nele, pensando que, por mais carinhoso que ele fosse, no final das contas: se ele ainda não estava contaminado ele ia acabar se contaminando de qualquer jeito, não é muito esperto. Peguei meu celular e tentei ligar para o Caio novamente, mas dessa vez, consegui falar com ele:

- Alô, Caio?
- Oi Ugo, acabou a luz por aqui camarada. Por aí também?
- É, tá tudo apagado.
- Entao cara, eu to aqui observando pela janela, do meu prédio estrategicamente posicionado na frente do rio tietê, e ta tudo apagado viu cara. Zona Norte, sul, leste e a única com um pouco de luz é a oeste.
- Eu to na Zona Oeste Caio, tá tudo apagado por aqui.
- Então fodeu. Eu ouvi no rádio que tem vários zumbis atacando.
- É, to ligado.
- Falou, boa noite.
- Falou.

Como iria eu passar até a cozinha? Meu cachorro iria acordar logo mais e minha empregada está em algum lugar aleatório da casa, pronta para atacar quando eu menos esperar. Andei devagar até a porta do quarto do meu irmão, tentando ver, com a luz do celular, se encontrava o corpo do meu cachorro. Lá estava ele, brincando com um ursinho de pelúcia. É a minha chance. Sorrateiramente, comecei a andar até a sala, e as luzes já não mais estavam meio acesas, agora estava tudo apagado; Apenas entrava pela janela luz da lua, que não estava no céu. Perto da cozinha, empurrei a porta devagar, ela rangeu, e nada. Passei novamente pela comida e, quando estiquei o braço para pegar mais uma mão de lingüiça, percebi que estava sangrando muito e que tudo estava girando. Senti uma vontade enorme de comer cérebros e pele humana. Segurei firme o taco de beisebol na mão e pensei: "Se for pra virar zumbi, pelo menos um com taco de beisebol". Meu celular começou a vibrar e tudo aconteceu muito rápido: Um barulho de gente gritando e correndo veio do fundo da cozinha e barulho de tiros. Corri até lá, quem sabe ainda tinha um pouco de comida (carne humana) pra mim. Eu estava babando muito, sangue. Minha visão ficou meio turva, mas na corrida, o vento deixou tudo mais claro: tinham pessoas estranhas na minha cozinha: um japonês com um violão na mão e uma mulher vestindo couro preto, com uma arma na mão e um celular na outra. Grunhi alto um barulho muito estranho e sai correndo atrás deles; A garota parecia muito apetitosa. Ouvi um barulho estranho atrás de mim, parei no meio do caminho e vi meus dois irmãos apontando e gritando muito. O som parecia distorcido, minha orelha não mais funcionava direito, senti alguma coisa escorrendo por ela. Olhei pra frente novamente e vi a garota gritar e o garoto gritar e tudo pareceu muito interessante. Corri até eles para cumprimentá-los com uma mordida na cabeça e uma babada no olho, que me pareceu a coisa mais própria a se fazer; Minhas costas não mais suportavam meu corpo, então meus braços arrastavam pelo chão, deixando marcas de sangue para trás. Senti um prazer muito grande quando cheguei perto, acompanhado de um barulho muito alto e melodioso. Parte de mim achou que eu tomei um tiro, mas tudo parecia muito estranho.
Parei por um segundo. Ouvi mais gritos e mais berros, e achei melhor ir socorrê-los, com uma mordida e uma babada no olho. Tomei mais um tiro, acho, e um violão enorme voou em minha direção. Desviei deste, pulei em cima da garota e gritava desesperada, cumprimentei ela com o maior carinho do mundo. Tomei mais um tiro, mas dessa vez foi doído. Perdi minha força e deixei-me cair em cima de seu corpo. Tudo ficou meio distorcido, e só lembro de ter sido arrastado até uma cama.

Acordei desesperado, com muita fome. Não, não foi o apocalipse, foi só um apagão comum. Senti o gostinho de sangue na boca, mas talvez tenha sido só uma afta.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sem idéias úteis

Falarei às inúteis.
Então, consegui meu Google Wave!
A idéia é muito interessante, mas ainda está muito, MUITO, MUITO teórica, e pouco prática. Não achei melhores palavras, mas o Google Wave, ainda está em Preview, não é nem o Beta, o que significa que ele ainda é um pequeno bebê ideal, crescendo pouco à pouco. Espero que um dia ele se torne algo usado, por que da pra conversar tipo MSN, editar textos tipo o DOCs, e usá-lo como e-mail, só que sem a idiotíce de quebração de arquivos em multiplos. A idéia de escrever ao mesmo tempo é interessante na edição de arquivos, na de conversar nem tanta, mas nas discussões sobre algum assunto fica mais legal, muito melhor e mais pessoas que qualquer fórum, porque vc PODE acrescentar imagens, emoticons (ainda nao, mas logo), video, etc.

Falo mais depois.